Rede dos Macaubeiros

Macaúba é melhor do que petróleo!

3/11/09

Teses de doutorado da Gisele

 

Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. - ARECACEAE: BASES PARA O EXTRATIVISMO SUSTENTÁVELGisele Maria Amim Caldas Lorenzi

Tese apresentada ao Curso de Pós- Graduação em Agronomia, área de concentração em Produção Vegetal, Departamento de Fitotecnia e Fitossanitarismo, Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná, como parte dos requisitos para a obtenção do grau de Doutor em Ciências.

Orientadora: Drª Raquel R. B. Negrelle

Co-orientadora: Drª Solange R. Zaniolo

CURITIBA - 2006

A tese, com 166 páginas, pode ser lida, na íntegra em:

 

 

http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/1884/5279/1/Acrocomia%20aculeata.pdf

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Produção de óleo de macaúba de qualidade

Nativa em Minas Gerais, integrante natural das pastagens, a palmeira macaúba é a mais nova promessa que desponta no mercado de biocombustíveis, cosméticos, fármacos, podendo seu óleo, ser usado até mesmo para a culinária. Projeto pioneiro de beneficiamento do coquinho, fruto da planta, está sendo desenvolvido em Jaboticatubas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os resultados preliminares são animadores: pela primeira vez foi extraído do coco um óleo de qualidade, que já é comercializado.

O trabalho é o resultado de um projeto conjunto entre a empresa Paradigma Óleos Vegetais, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Embrapa Agroindústria de Alimentos, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que mantém linha de incentivo a pequena indústria.

Até então, a macaúba era vista como uma palmeira nativa encontrada com facilidade pelas pastagens de Minas, com grandes cachos de coco, de onde é extraído um óleo ácido usado na fabricação de sabão. No entanto, as possibilidades de aproveitamento da planta são infinitamente maiores. “Do coco se aproveita tudo, da casca que se transforma em energia, a castanha de onde se tira um óleo puro”, observa Sérgio Motoike, professor pesquisador do Departamento de Fitotecnia da UFV. Para Marcelo Araújo, engenheiro de automação e processos, sócio-proprietário da empresa Paradigma, a palmeira é uma grande descoberta e um projeto promissor. “Xeiques árabes olham a areia do Oriente e enxergam o petróleo. Quando olho para os campos de Minas vejo a mesma coisa, o combustível do futuro no fruto da macaúba”, compara o engenheiro, explicando de onde surgiu a inspiração para dar início ao projeto, que, com tecnologia e pesquisa, está extraindo do fruto da palmeira um óleo quase tão puro quanto o de oliva.

“Quando olho para os campos de Minas, vejo o combustível do futuro no fruto da macaúba” - Marcelo Araújo, Engenheiro e um dos idealizadores do projeto

Do coco dessa planta 100% brasileira é possível conseguir três tipos de óleo. O primeiro é retirado da matéria-prima já em processo de decomposição e não requer técnica elaborada. “Nesse processo rudimentar, o fruto pode ser armazenado no máximo por cinco dias após a colheita e o óleo tem alta acidez, cerca de 45%, usado na fabricação de sabão”, explica Araújo. O que começa a ser feito agora é um processo semelhante ao desenvolvido na extração do óleo de palma (dendê). Com tecnologia, um produto bem mais puro está sendo retirado da polpa do coco, matéria-prima para o mercado de biocombustíveis. Um terceiro óleo, atingindo acidez de apenas 0,5%, concorrente do dendê, é extraído da castanha do coco sendo indicado para a indústria de cosméticos e também para alimentação humana.

Jaboticatubas foi escolhida como cidade sede do empreendimento por ter grande concentração da planta. A palmeira está presente no Norte, Nordeste, Centro-Oeste do país, mas é no Sudeste, especialmente em Minas Gerais, que está a maior quantidade da espécie. São aproximadamente 7 milhões de plantas, sendo que a maior concentração ocorre na Região Metropolitana de BH.

Marinella Castro

 Portal jornal  Estado de Minas, Caderno Agropecuário

 

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VALE investe em dendê

Locomotivas serão movidas a biodiesel

30/10/09

Fonte: Valor Econômico

- Em consórcio com a empresa produtora de dendê Biopalma da Amazônia, a Vale produzirá, a partir de 2014, biodiesel para mover suas locomotivas em operação no Norte do país e os equipamentos de exploração de minério de ferro nas minas de Carajás (PA). O consórcio, que investirá US$ 500 milhões no sistema produtivo, deve ser o maior produtor de óleo de palma da América. A Vale aportará US$ 305 milhões na nova parceria, na qual terá 41% do capital. A companhia planeja construir uma usina de biodiesel no Pará até 2011.

A estratégia da Vale inclui a substituição de 20% do diesel consumido por suas 216 locomotivas do Norte pelo biodiesel a base de óleo de dendê. A tecnologia de conversão dos motores foi desenvolvida pela Vale Soluções em Energia (VSE), empresa cujo capital é dividido ao meio com o BNDES. “Já temos biodiesel para rodar com 3% de mistura ao diesel, mas precisamos ampliar a produção e ter autossuficiência para atingir os 20% em 2014″, diz o diretor de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Vale, Luiz Cláudio Castro.

O plantio do dendê ocorrerá em 130 mil hectares de seis municípios do Centro-Norte do Pará e garantirá à Vale o oferta de todo o biodiesel necessário para suas locomotivas - 60 mil hectares serão plantados e 70 mil vão servir para recompor as áreas de reserva legal.

No Sul, a Vale negocia com a Petrobras o uso de gás nas locomotivas, tecnologia desenvolvida pela VSE. “Só dependemos da oferta e da disponibilidade desse gás para incluir o combustível na nossa matriz energética de transporte”, afirma Castro. A Vale é dona de 10,2 mil km de ferrovias e, por esses trilhos, transporta grãos, combustíveis, produtos químicos, materiais de construção e todas as matérias-primas para a siderurgia.

A companhia estima uma produção anual de 500 mil toneladas de óleo de dendê, o que deve significar 160 mil toneladas de biodiesel por ano. “A conta ambiental será mais importante do que o resultado financeiro”, diz o diretor da Vale. “Faremos a recomposição das reservas legais e de áreas de preservação permanente por meio dessa iniciativa. Estamos apagando um passivo dessas áreas.”

A empresa planeja corte de 12 milhões de toneladas de CO2 - o equivalente à poluição causada por 200 mil carros a cada ano. O consórcio prevê gerar 6 mil empregos diretos nas áreas de produção, situadas numa região responsável por um dos mais baixos IDHs do país. Já foram plantadas 800 mil mudas de dendê em 5 mil hectares na região dos municípios de Moju, Acará e Baião. O consórcio prepara outras 2,3 milhões de mudas para ampliar em 12,5 mil a área cultivada até o início de 2010.

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30/10/09

Tecnologias e equipamentos para extrativismo da macaúba

Há estimativas de que formações de macaúba nativa estão presentes em mais de 10 milhões de hectares no Brasil, espalhadas por quase todos estados. Considerando uma estimativa conservadora de 4 palmeiras por hectare teríamos uma produção potencial de pelo menos 2 milhões de toneladas por ano de frutos.

 

Entretanto, para que este presente que Deus deu aos brasileiros gere emprego, renda, energia e alimentos será necessários vencer os desafios da sustentabilidade economica e ambiental.

A sustentabilidade ambiental não oferece maiores dificuldades, desde que planos de planejo sejam obedecidos à risca.

O manejo adequado envolve várias ações :

  • Levantamentos detalhados dos maciços, para localizá-los no espaço e quantificá-los. Deve ser conhecida a taxa de crescimento natural dos maciços. A exploração sustentável deve contribuir para que esta taxa aumente, e não diminua.
  • Preservar parte dos frutos para semeaduras no interior e nas proximidades das formações nativas, adensando-as.
  • Adubação compensatória, com composto orgânico ou húmus de minhoca, e complementos minerais de macro e micronutrientes.

A sustentabilidade econômica requer maior atenção, e acompanhamento permanente, porque a economicidade varia ao longo do tempo; uma atividade que apresenta viabilidade num período e numa conjuntura econômica, pode se mostrar inviável no período seguinte. É fundamental então que exista “reserva de economicidade”, e monitoramento constante da produtividade, a qual deve ser alta o suficiente para remunerar adequadamente o capital e a mão de obra, e gerar reservas para épocas de crise.

As tecnologias do extrativismo devem ser aplicadas nas diversas etapas do extrativismo:

1 – Equipamento de Proteção Individual e suprimentos

Chapéu, óculos, bota cano longo, perneira, luvas, lona preta, água

 

2 – Tratos culturais

Colocação de adubo, rebaixo do solo ao redor do estipe para retenção de água de chuva

Anotações das datas de anteses, e identificação de cada cacho

 

3 – Acesso aos maciços

Veículo mais adequado para transporte rápido de pessoas, dispositivos e adubo: pick up leve

 

4 – Catação no chão e corte dos cachos

Colheitadeira paraguaia manual

Escada extensível até 7 m de altura, com amarração ao estipe, com plataforma no topo, proteção anti-queda, vara 3 m com lâmina de serra na ponta (para terrenos mais acidentados)

Plataforma de elevação hidráulica acoplável a tratores (topografia plana)

Carrinho manual com rodas de bicicleta, para transporte local

 

5 – Armazenagem local

Forração do solo com lona preta

 

6 - Transporte a unidade de beneficiamento

Pick up leve ou caminhão de 7 t de peso bruto total

 

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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23/10/09

Agradecimento da Gabriela

 

Comentário por  Gabriela Ramos — 23 de outubro de 2009 @ 11:23 ao texto

 

 

 

Pesquisa do Extrativismo Sustentável da Macaúba, que publicamos em 30/07/2009:

“aaaw ‘ eu ameei , vocês tem tudo certinho , muito obrigado . vou indicar esse site pra todo mundo , é o melhor site que explica tudo certinho sobre : extrativismo sustentável . OBRIGADO :* / me ajudaram muito , vou tirar 10 por causa de vocês , muito obg .”

Agradecemos o caloroso incentivo da Gabriela, e a divulgação do nosso blog.

Acreditamos que com boa técnica e gerenciamento adequado, o extrativismo da macaúba é uma atividade sustentável e lucrativa. Mas é necessário que mais pesquisas sejam realizadas, visando a obter-se níveis adequados de produtividade e sustentabilidade ambiental.

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

 

 

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20/10/09

Colheitadeira de macaúba

Colheitadeira de macaúba

Colheitadeira de macaúba

A colheitadeira manual foi mostrada no 6º Congresso de Biodiesel em Montes Claros pelo colega Marcelo Mencarini, que a trouxe do Paraguai.
Este dispositivo aumenta em muito a produtividade dacoleta de côco, além de evitar problemas na coluna.
O carregamento é feito prensando-se levemente o globo sobre a macaúba no chão.
O descarregamento é feito colocando-se o centro do globo sobre uma seta, que abre o arame sobre a caixa onde o côco é descarregado.
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19/10/09

Espatas em outubro

A espata é a embalagem que envolve e protege o cacho de flores da macaúba em formação. Tem a forma de um charuto, com a ponta fina, quando fechado.

A espata é formada na parte superior do estipe, projetando-se para fora, inicialmente apontando para cima. Na medida que vai crescendo em volume, vai se inclinando para baixo.

Quando o cacho floral está formado, a espata abre-se, possibilitando que as flores sejam polinizadas e o frutos cresçam gradualmente, até sua maturação. Em condições de maciços nativos, foi observado que o período que vai da antese até o início da queda dos frutos dura de 12 a 14 meses.

O volume de frutos depende do tamanho e da quantidade de cachos produzidos. O volume de frutos em cada cacho depende da eficiência da polinização, e esta depende em grande parte dos insetos, que são atraídos pelo odor exalado pelas flores. Outros fatores importante são a disponibilidade de nutrientes e água no solo.

 Na região metropolitana de Belo Horizonte em 2008 o início da formação das espatas ocorreu em novembro. Em 2009, a formação de espatas foi antecipada, sendo observadas na metade de outubro. Coincidentemente, ocorreu em 2009 um volume de chuvas acima da média em agosto e setembro. Ou seja, pode existir uma relação de causa-efeito entre o início da temporada de chuvas e as emissões de espatas da macaúba. Se realmente as pesquisas confirmarem esta relação, será possível antecipar a produção de macaúba com irrigação, nos meses que antecedem as chuvas. 

 Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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13/10/09

Ensaios de propagação da Acrocomia, no Paraguai - 05/2/09

Foi constatado um alto percentual de germinação de sementes de Acrocomia nas instalacões de germinação experimental que a empresa Acrocomia Solutions possui en Obligado, departamento de Itapúa, Paraguai.

 Este trabalho destina-se a dar prosseguimento aos primeiros ensaios exitosos realizados em menor escala anteriormente, e confirmar as metodologias utilizadas para provocar a germinação de sementes em apenas 12 semanas, semeadas em substratos especialmente acondicionados. Cabe mencionar que naturalmente as sementes de Acrocomia demoram entre 1 a 7 anos para germinar, razão pela qual os resultados obtidos são alentadores.

 O responsável principal pelo trabalho foi o biotecnólogo Peter Deplewski (Universidade de Hohenheim), com a colaboração da eng. florestal Edilia Ramírez (Universidade Católica de Itapúa).

 As sementes provêem de populações-mães de alta produtividade média (maiores que 75 Kg/frutos por palmeira/ano) e com superior conteúdo de óleos (entre 16 % e 23 %), o que assegura aos clientes a melhor qualidade genética disponível até o momento.

Paralelamente continuam as atividades de identificação, medição de produtividade e análises de qualidade de frutos de populações de palmeiras, que Acrocomia Solutions continua realizando em colaboração com entidades conveniadas, objetivando o melhoramento genético da Acrocomia.

Fonte: Transcrição e tradução de conteúdo do sítio: www.agroenergias.com.py

 

 

 

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9/10/09

Macaúba em áreas alagadas

Comentário por Gilson Pereira de Oliveira — 9 de outubro de 2009 @Gostaria de saber se possivel plantar macaúba em areas algadas por periodos de 2 a 9 semanas. E se pode ser plantada na região de Dolabela

Resposta 

 

 

A macaúba não é adequada para plantio em áreas que podem ficar alagadas por longos períodos.

Pode resistir a pouco tempo de alagamento. Para áreas que ficam alagadas por maiores períodos recomendamos o buriti, que produz um côco de excelente qualidade para alimentação.

 

Com relação a plantio de macaúba na região de Dolabela, não sabemos onde fica. Caso se trate de Engenheiro Dolabela, município de Bocaiúva, a região é adequada para plantios comerciais de macaúba, por ser esta nativa da região. Aliás, bocaiúva e macaúba são sinônimos, e designam a mesma espécie, Acrocomia Aculeata.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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Dúvidas da Cristiane

Cristiane Teixeira enviou-nos a seguinte mensagem

Gostaria de informações sobre a morfologia do coco macauba. Tenho dúvidas em identificar as partes do coco. A massa amarela é o fruto? A casca preta que envolve a amendoa como é chamada? E por fim a amendoa. Quem é o coco e quem é o fruto? Obrigada.

 

Resposta

 

O côco macaúba é composto de:

 

Casca externa - exocarpo ou epicarpo

 

Polpa amarela - mesocarpo, contém óleo insaturado

 

Caroço - endocarpo, parte externa dura, utilizada para fazer carvão

                           parte interna: amendoa, também conhecida como gema ou castanha.            

                                                          Tem alto teor de proteína e óleo saturado

 

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros  

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8/10/09

As lições da SABOARIA SANTA LUZIA S/A

A história é uma mestra que nos apresenta muitas lições. A trajetória da Saboaria Santa Luzia mostra acertos, ao longo dos seus mais de 100 anos de existência como empresa, e também dificuldades, que conduziram ao seu fechamento, em 1996.

 

Pontos Positivos

1 - Geração de empregos, trabalho e renda para populações carentes em vários pontos do estado de Minas Gerais;

2 – Demonstração na prática que a exploração da macaúba é um atividade rentável;

3 – Aproveitamento integral do fruto da macaúba, só não era recuperada a umidade do fruto;

4 – Produção de sabões, tortas e carvão de alta qualidade.

5 – A empresa conseguiu sobreviver a diversas crises econômicas, como recessões, inflação elevada, alto custo do crédito.

 

Pontos Negativos

1 – A empresa não deu importância ao seu planejamento estratégico, e não conseguiu planejar e executar ações para enfrentar as dificuldades que levaram ao seu fechamento;

2 - Foram perdidas oportunidades de agregar valor a seus produtos, como o lançamento de produtos alimentícios para consumo humano, como farinhas desengorduradas da polpa e da gema, e produtos dietéticos. Os óleos poderiam ser direcionados para finalidades mais nobres, como fármacos e cosméticos;

 

3 - Como havia grandes maciços de macaúba nas proximidades da fábrica, a empresa não criou outra fonte de suprimento, os plantios comerciais. Nas últimas décadas a cidade de Santa Luzia cresceu muito, transformando áreas rurais em urbanas, e formações nativas em pastagens, erradicando milhares de macaúbas. Mais de 70% das palmeiras foram erradicadas, não havia diretrizes de manejo sustentável das formações nativas, como quase todo côco era catado, a reprodução natural era reduzida;

 

4 - O alteamento natural da macaúba ao longo do tempo dificulta a coleta dos cachos. Não foi desenvolvida uma técnica e equipamentos para trabalhar com macaúbas muito altas;

 

5 – A empresa teve grandes perdas de produtividade com o declínio da coleta, em razão da redução da oferta de mão de obra, e do aumento de sua remuneração, e do aumento dos custos de transporte;

 

6 – A empresa não conseguiu enfrentar a concorrência de outros produtos: os detergentes derivados de petróleo e os sabões de sebo bovino.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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7/10/09

SABOARIA SANTA LUZIA S/A – ALGUMAS INFORMAÇÕES

Fechou as portas em 1996 a Saboaria Santa Luzia S/A, cidade vizinha a Belo Horizonte.

Esta cidade foi visitada em 5/10/2009 pelos pesquisadores José Mauro Moreira e Tito Rocha, da Embrapa Cerrados, e por este escriba, que levantaram algumas informações sobre a história desta empresa que funcionou por mais de 100 anos, comprando côco macaúba, industrializando e vendendo seus produtos.

 

A SSL obtinha a matéria-prima comprando côco macaúba de catadores, os macaubeiros, que armazenavam localmente os cachos cortados ou o côco caído, para posterior transporte para as 2 unidades industriais da companhia, em Santa Luzia ou Jaboticatubas.

Era uma importante fonte de renda para a população de baixa renda, da periferia e da zona rural de Santa Luzia e de várias cidades do estado que enviavam o côco para ser beneficiado em Santa Luzia, entre elas Corinto, MG onde havia um entreposto de compra de côco macaúba. A cidade vizinha de Jaboticatubas tinha uma unidade industrial da SSL, onde extraía óleos, e armazenava o côco em grandes galpões, com paredes de telas de arame.

O produto principal da saboaria era o sabão, conhecido como “sabão de Santa Luzia”, na verdade, dois tipos de sabões de qualidade, do óleo da polpa e do óleo da amêndoa. Estes eram vendidos em grande quantidade, antes do advento dos detergentes derivados de petróleo, e tinham grande poder de limpeza. Muita gente usava o sabão do óleo de amendoa para tomar banho e lavar os cabelos, relatando sua eficiência no combate a caspa.

Os outros produtos da SSL eram os óleos brutos da polpa e da amêndoa da macaúba, tortas da polpa e da amendoa, glicerina, e carvão feito do endocarpo da macaúba. Este último era vendido para a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, na vizinha cidade de Sabará.

O auge da produção da SSL aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, sendo beneficiados por ano, 120.000 alqueires de macaúba (1 alqueire = 60 litros). Este volume equivale a aproximadamente 4.000 toneladas de côco. A empresa instalou dois criatórios de porcos próximos á fábrica, que se alimentavam das tortas da polpa e da amendoa.

 

A partir da entrada em operação em Santa Luzia, da empresa estatal FRIMISA -
Frigoríficos Minas Gerais, em 1959, com grande disponibilização de sebo bovino, uma matéria-prima mais barata para fazer sabão passou a competir com os óleos de macaúba.

Outros fatores que contribuíram para a decadência da SSL foram o aumento dos custos de mão de obra e do transporte, a descapitalização, a obsolescência dos equipamentos, que não foram modernizados, e a deficiência na alta administração que não conseguiu enfrentar estas dificuldades.

O fechamento da SSL foi uma tragédia para mais de 500 catadores, que subitamente se viram sem uma fonte de renda para sua subsistência.

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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24/9/09

Soluções para a macaúba, no Paraguay

Recomendo enfaticamente a todos acessar o sítio:

http://www.acrocomiasolutions.com

Trata-se de uma empresa paraguaia, especializada em pesquisas e na consultoria da macaúba, palmácea que é conhecida neste país como mbocayá, ou coquito.

A variedade dominante de Acrocomia, no Paraguai é a Acrocomia totai, fruto pequeno, polpa com maior teor de glicídios que a macaúba, e menor teor de óleo.

O sítio informa as pesquisas em andamento nesta empresa:

     -  Desenvolvimento de metodologías de propagação de Acrocomia spp. a partir de sementes e  tecidos.

       -  Desenvolvimento de metodología ótima de manejo de plântulas de mbokayá en viveiros.

        -  Identificação de necessidades de fertilização de Acrocomia spp. em vista a la otimização da productividade.

         - Determinação de critérios de seleção e coleta de material de propagação de palmeiras ou populações- mães com finalidade de melhoramento genético.

         -  Determinação de densidades ótimas e melhores técnicas de tratos culturais en plantações de Acrocomia spp.

         -  Produção de farinhas a polpa de frutos de mbokayá.

          -  Avaliação de utilização de frutos frescos, folhas e tortas de Acrocomia spp. na alimentação animal.

          -  Avaliação do balanço de carbono, energía e da ecologia do cultivo da Acrocomia spp.

         -   Desenvolvimento e avaliação de tecnologías alternativas de colheita de frutos de Acrocomia spp.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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22/9/09

Embrapa Cerrados pesquisa sócio-economia da macaúba

Está programado para o início de outubro visita de 2 pesquisadores da Embrapa Cerrados, sediada em Brasília, à Região Metropolitana de Belo Horizonte, Viçosa e Lima Duarte, para conhecer empreedimentos que já estão funcionando, de plantio e beneficiamento da macaúba.

Outros pesquisadores do CPAC irão para o Maranhão, pesquisar a cadeia produtiva do babaçu.

Os pesquisadores da macaúba visitarão a Fazenda do Sinéas, em Jequitibá, as antigas instalações da Saboaria Santa Luzia S/A, nesta cidade, e a Paradigma Óleos Vegetais, que já desenvolveu tecnologia de extração de óleo da polpa de macaúba de baixa acidez.

Em Viçosa, os pesquisadores visitarão a ACROTECH que produz e comercializa semente pré-germinadas de macaúba. Em Lima Duarte a visita será feita aos viveiros da Entaban, que com a chegada das chuvas estão iniciando o plantio de 1,5 milhão de mudas de macaúba.

Posteriormente será feita outra viagem, desta vez à Montes Claros, onde macaúba de extrativismo é beneficiada pela UBCM e pela Petrobrás Biocombustíveis.

O foco de todo este trabalho é conhecer, através da aplicação de questionários detalhados, a cadeia produtiva da macaúba, como estão estruturados os arranjos produtivos, e quais as melhores alternativas para o futuro, na exploração da macaúba. 

 

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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17/9/09

Tina busca máquinas para beneficiamento de macaúba

Nossa companheira Tina Ferreira da Matta, fazendeira em Nova Xavantina, Mato Grosso, telefonou solicitando informações sobre fabricantes de máquinas para despolpar e quebrar o endocarpo da macaúba.

Já passei as informações que eu dispunha, outros macaubeiros que tenham informações por favor, repassem-nas atráves dos Comentários, deste blog.

No Mato Grosso as distâncias são grandes, e as fazendas também. O projeto da Tina é a instalação de uma unidade móvel de extração de óleos, em cima de um caminhão. Os equipamentos iriam até pontos de armazenagem temporária de macaúba, onde esta seria processada. O transporte ficaria limitado aos óleos, e as tortas da polpa e da amendoa ficariam na própria região, para alimentação do gado.  

As máquinas seriam movidas a motor a gasolina ou óleo diesel, e os óleos seriam destinados à óleoquimica e a produção de biodiesel.

Todos projetos de maior porte para produção de macaúba, devem levar em conta os custos de transporte, entre ás áreas de produção agrícola e a unidades de processamento. Pode ser mais economico ter unidades de processamento descentralizadas.

Francisco Oliveira

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