Fechou as portas em 1996 a Saboaria Santa Luzia S/A, cidade vizinha a Belo Horizonte.
Esta cidade foi visitada em 5/10/2009 pelos pesquisadores José Mauro Moreira e Tito Rocha, da Embrapa Cerrados, e por este escriba, que levantaram algumas informações sobre a história desta empresa que funcionou por mais de 100 anos, comprando côco macaúba, industrializando e vendendo seus produtos.
A SSL obtinha a matéria-prima comprando côco macaúba de catadores, os macaubeiros, que armazenavam localmente os cachos cortados ou o côco caído, para posterior transporte para as 2 unidades industriais da companhia, em Santa Luzia ou Jaboticatubas.
Era uma importante fonte de renda para a população de baixa renda, da periferia e da zona rural de Santa Luzia e de várias cidades do estado que enviavam o côco para ser beneficiado em Santa Luzia, entre elas Corinto, MG onde havia um entreposto de compra de côco macaúba. A cidade vizinha de Jaboticatubas tinha uma unidade industrial da SSL, onde extraía óleos, e armazenava o côco em grandes galpões, com paredes de telas de arame.
O produto principal da saboaria era o sabão, conhecido como “sabão de Santa Luzia”, na verdade, dois tipos de sabões de qualidade, do óleo da polpa e do óleo da amêndoa. Estes eram vendidos em grande quantidade, antes do advento dos detergentes derivados de petróleo, e tinham grande poder de limpeza. Muita gente usava o sabão do óleo de amendoa para tomar banho e lavar os cabelos, relatando sua eficiência no combate a caspa.
Os outros produtos da SSL eram os óleos brutos da polpa e da amêndoa da macaúba, tortas da polpa e da amendoa, glicerina, e carvão feito do endocarpo da macaúba. Este último era vendido para a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, na vizinha cidade de Sabará.
O auge da produção da SSL aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, sendo beneficiados por ano, 120.000 alqueires de macaúba (1 alqueire = 60 litros). Este volume equivale a aproximadamente 4.000 toneladas de côco. A empresa instalou dois criatórios de porcos próximos á fábrica, que se alimentavam das tortas da polpa e da amendoa.
A partir da entrada em operação em Santa Luzia, da empresa estatal FRIMISA -
Frigoríficos Minas Gerais, em 1959, com grande disponibilização de sebo bovino, uma matéria-prima mais barata para fazer sabão passou a competir com os óleos de macaúba.
Outros fatores que contribuíram para a decadência da SSL foram o aumento dos custos de mão de obra e do transporte, a descapitalização, a obsolescência dos equipamentos, que não foram modernizados, e a deficiência na alta administração que não conseguiu enfrentar estas dificuldades.
O fechamento da SSL foi uma tragédia para mais de 500 catadores, que subitamente se viram sem uma fonte de renda para sua subsistência.
Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros