Rede dos Macaubeiros

Macaúba é melhor do que petróleo!

30/6/09

O elo mais fraco da corrente

Depois de conversar com vários empreededores que estão investindo na macaúba, estou convencido que o elo mais fraco da exploração desta generosa palmácea é a gestão do negócio, o que inclui o planejamento, a organização, o controle das atividades, mas sobretudo a gestão das pessoas.

A exploração da macaúba é uma atividade econômica com poucas unidades em produção, até agora a fonte de côco é o extrativismo dos maciços de macaúba.

Embora as técnicas gerenciais forneçam diversas alternativas, só a experiência prática, ao longo do tempo, apontará os melhores caminhos a trilhar.

Entretanto há boas experiências que merecem ser conhecidas e adaptadas, nos plantios comerciais da macaúba.

A mais significativa é da Agropalma, do Pará, que industrializa o dendê proveniente de plantios próprios, e de milhares de pequenos produtores integrados. Esta empresa de 4.500 empregados dedica especial atenção a área de recursos humanos, executando muitas atividades nesta área, desde cursos de alfabetização de adultos, formação de sua mão de obra, manutenção de uma escola própria de ensino fundamental e médio, atividades constantes de treinamento e prevenção de acidentes.

Com certeza, a Agropalma não teria tanto êxito se não tivesse uma política de valorização e promoção de seus recursos humanos.

Outras organizações que compram oleaginosas para produção de biodiesel têm enfrentado problemas, na área de recursos humanos:

  • Falta de mão de obra para plantio ou extrativismo

  • Desconfiança do agricultor em relação às empresas compradoras de oleaginosas

  • Falta de experiência do agricultor no plantio de oleaginosas como mamona, pinhão-manso e macaúba

  • Conservadorismo do produtor rural, com reservas para aceitar inovações técnicas

  • Falta de tradição cooperativista, e relações com empresas integradoras

  • Falta de mentalidade empresarial do pequeno produtor rural, o seu foco principal é o plantio de subsistência e não plantios comerciais

Nenhum destes problemas é de fácil solução, mas não são obstáculos intransponíveis.

A falta de mão de obra no campo tem sido superada com importação de trabalhadores de outras regiões.

Todos os outros problemas podem ser superados, mas requerem um bom gerenciamento, pessoal qualificado e investimento em educação e capacitação da mão de obra, e muito treinamento prático em campo.

As entidades de apoio e fomento à produção de oleaginosas têm que priorizar a presença permanente de monitores, instrutores e gerenciadores junto ao produtor rural, entendendo sua cultura, ganhando sua confiança, levando novas idéias, trabalhando junto, formando equipes de trabalho, demonstrando na prática as melhores formas de produzir, com equipamentos e boas técnicas, e de aumentar a produtividade ao longo do tempo.

Este trabalho não é fácil, nem rápido, mas a médio prazo dará os melhores frutos, na produção de oleaginosas e alimentos, na geração de oportunidades de trabalho no campo. Até mesmo o retôrno de milhares de famílias ao campo pode acontecer, se houver programas governamentais consistentes.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros/ONGTREM

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29/6/09

Projeto sobre cadeia produtiva da macaúba

Prezados

 Informo que estou fazendo um projeto de tese no Centro de Estudos e Pesquisas em Agronegócios (Cepan) /UFRGS entitulado:

 Emergência de Arranjo Produtivo Sustentável de Oleaginosa Perene não-alimentar, para Produção de Biodiesel: o Caso da Cadeia Produtiva Agroindustrial da Macaúba, no Cerrado Brasileiro

Esse projeto já está aprovado no CNPq tambem, em parceria com a EPAMIG. Tenho interesse em ver a cadeia produtiva completa e a questão de fornecimento de mudas, e integração vertical é o foco na organização indústrial da Macaúba, sendo a relação produtor-indústria, como base para o dimensionamento com a macaúba, objetivando a produção de biodiesel.

Faço parte do grupo de estudos da Embrapa Cerrados sobre culturas alternativas para biocombustíveis.

Após a defesa do projeto em julho gostaria de visitar a unidade de Lima Duarte.

 

Atenciosamente

Marcelo Mencarini

 

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26/6/09

Vale divulga grande projeto de biodiesel

A mineradora Vale espera obter economia de 150 milhões de dólares/ ano com a utilização de biodiesel em suas locomotivas, escavadeiras e caminhões fora-de-estrada do Sistema Norte, informou em 24/06/09, o diretor-executivo da área de Logística, Gestão de Projetos e Sustentabilidade, Eduardo Bartolomeo.

CULTIVO DE PALMA

Vale informou que fez parceria com a empresa Biopalma para investir 500 milhões de dólares, em plantios de palma e instalações para produção de biodiesel sendo 305 milhões a cargo da Vale. O empreendimento será o maior produtor de óleo de palma das Américas.

O consórcio estima que a produção anual de óleo seja de 500 mil toneladas.

“Parte dessa produção será transformada em 160 mil toneladas de biodiesel para a Vale, que serão utilizadas para auto-consumo. O restante do óleo de palma produzido será comercializado pela Biopalma”, informou a Vale nos documentos adicionais sobre o projeto.

A parte agrícola caberá a aproximadamente 2 mil famílias de agricultores. Serão utilizados 60 mil hectares para o plantio da palma, totalizando 9,3 milhões de mudas até 2013.

“A partir de 2014, a Vale utilizará a mistura B20 (20 por cento de biodiesel e 80 por cento de diesel comum) na Estrada de Ferro Carajás e em algumas operações de mineração do Sistema Norte. A parceria com a Biopalma vai permitir que a Vale se torne autossuficiente na produção do B20. Ao mesmo tempo, a empresa irá conseguir se antecipar à regulamentação que prevê o uso do B20 para 2020″, acrescentou a nota.

SISTEMA SUL

O Sistema Sul já testou com bons resultados a utilização simultânea de gás natural e diesel nos motores de locomotivas. Nestes motores o gás é misturado ao ar de combustão, com injeção reduzida de diesel (menos 50 a 70%); a combustão ocorre na compressão da mistura ar-gás-diesel.

A longo prazo o diesel poderá ser substituído pelo biodiesel, com vantagens técnicas: melhor lubricidade, maior taxa de compressão, e menor emissão de material particulado, hidrocarbonetos, e CO2.

As oleaginosas cogitadas para futura produção de biodiesel no Sistema Sul são o pinhão manso, girassol, e a macaúba.

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19/6/09

QUESTÕES IMPORTANTES DO EXTRATIVISMO

 

A exploração do extrativismo vegetal no Brasil, tem sido feita muito aquém de suas reais potencialidades. Considerando a imensa disponibilidade de frutos das espécies nativas brasileiras, como a macaúba, pequi, baru, tucumã, babaçu, piacava, carnaúba, buriti, castanha do Pará, a seringueira e tantas outras, para a produção de alimentos, energia e matérias-primas, somos levados a concordar que muito falta a ser feito pelos governos e pelas populações locais para que esta atividade produza muito maior volume de emprego e renda.

Trata-se de uma das áreas da economia cujos investimentos apresentam maior relação benefício/custo, porque a pródiga natureza da terra brasileira produz imensas riquezas. São necessários apenas investimentos para, sustentavelmente, coletar, beneficiar e distribuir estes dons que Deus nos deu.

 

Algumas questões importantes têm que consideradas no fomento ao extrativismo:

  1 - O extrativismo tem que ser sustentável, dos   pontos de vista econômico, social e ambiental.

A renda gerada pelo extrativismo deve ser repartida com equanimidade, remunerando com justeza toda a cadeia produtiva: coletores, transportadores, a indústria de transformação e o comércio. Os princípios do Comércio Justo (Fair Trade) devem ser aplicados ás cadeias produtivas dos diversos produtos extrativistas.

 2 - Devem ser aplicadas tecnologias adequadas para incremento da produtividade do extrativismo.

Técnicas que favoreçam o aumento da produção, como adubação orgânica e adução de água de chuva para, equipamentos, e ferramentas que ampliem o volume de frutos produzidos e coletados.

  3 - Como qualquer atividade econômica, o extrativismo deve ser gerenciado eficientemente.

Devem ser aproveitadas boas experiências práticas de extrativismo, para o planejamento e a implantação de empreeendimentos extrativistas auto-geridos, de cooperativas de coleta, beneficiamento e comercialização de produtos da natureza.

O maior desafio talvez seja a transformação de pequenos proprietários e trabalhadores rurais iletrados em empreendedores bem sucedidos. Isto é possível, deste que haja recursos e investimentos em educação e capacitação.

 4 - O extrativismo deve estar associado ou deve ser complementar a outras atividades, como o cultivo de alimentos ou a pecuária.

Praticamente todos as espécies extrativistas geram co-produtos para a pecuária ou para produção de energia. Faltam unidades de produção que transformem os frutos da natureza em produtos comerciais.

 5 - A mão de obra extrativista, em contacto permanente com o meio ambiente pode e deve prestar serviços remunerados ao meio ambiente, como recuperação e preservação de recursos hídricos, e das formações vegetais nativas.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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16/6/09

CEPPEC - Prática do Extrativismo Sustentável

O Ceppec (Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação) é a consolidação de um sonho coletivo de agricultores familiares que vivem no assentamento Andalucia, no município de Nioaque, numa região de Cerrado no Mato Grosso do Sul. Foi em 1998, a partir dos conhecimentos locais e de novas idéias trazidas por oficinas da Ong Ecoa, que algumas famílias discutiram como diversificar a renda sem prejudicar o Cerrado. Com a consolidação das atividades, o grupo adquiriu autonomia e se organizou para fundar o Ceppec.

A experiência com frutos do Cerrado, como cumbaru, jatobá, pequi e bocaiúva, tornou-se um sucesso de mercado. Assim como a Oficina de Tecelagem que já é marca do Andalucia. As roupas, bolsas e peças utilitárias são confeccionadas com fiação artesanal, corantes e fibras naturais. Tudo isso foi aliado à educação ambiental, visitas a outras comunidades, turismo rural e técnicas diferenciadas de agricultura, como os Sistemas de Produção Agroflorestais (plantio consorciado de plantas nativas e tradicionais).

O assentamento Andalucia já é uma referência no estado de MS em função da proposta de diversificação das atividades rurais. O Centro de Produção, Pesquisa e Capacitação do Cerrado fortalece a agricultura familiar para uma atuação política frente às ameaças do avanço das fronteiras agropecuárias.

Conheça o sítio do CEPPEC:

www.ceppec.org.br

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12/6/09

Análise química da amendoa de bocaiuva

Os quadros abaixo foram extraídos do relatório da pesquisa AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DA PROTEÍNA DE AMENDOAS DA BOCAIUVA, EM RATOS WISTAR EM CRESCIMENTO, feita por pesquisadores da UFMS. O endereço do sítio onde se encontra o relatório completo da pesquisa consta em matéria do dia 09/06/09, deste blog.

Quadro 1

           COMPOSIÇÃO QUÍMICA DA AMENDOA DESENGORDURADA DA BOCAIUVA

                                                        Componentes

                               Base Úmida (g/100 g)  Base Seca (g/100 g)

Proteína (N x 6,25)           37,95±0,47     41,34±0,52

Lipídios totais                 1,23±0,03       1,34±0,03

Cinzas                            4,78±0,02        5,20±0,03

Fibra total                     45,32±1,97      49,37±2,05

Glicídios totais (diferença) 2,52                 2,74

Umidade                       8,20±0,06

 

 Quadro 2 - COMPOSIÇÃO EM AMINOÁCIDOS DA AMÊNDOA DE BOCAIÚVA, Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd

Coluna FAO(1) Padrão teórico da FAO/WHO (1991) ( 9 aminoácidos indispensáveis para crianças de 2 a 5 anos de idade); ND = Não-determinado; Médias de duas repetições.

 

Composição de Aminoácidos (mg/g de proteína)

                              Bocaiúva       FAO1

Ácido aspártico          66,4

Ácido glutâmico       156,4

Serina                       60,8

Glicina                      74,7

Histidina                   12,3             19

Arginina                    134,6

Treonina                     14,2            34

Alanina                       77,8

Prolina                        72,4

Tirosina                      23,9

Valina                        68,9            35

Metionina + Cisteína   25,2            25

Isoleucina                  34,2            28

Leucina                     63,5             66

Fenilalanina+tirosina   65,4           63

Lisina                        73,1            58

Triptofano                ND               11

 Os resultados desta pesquisa demonstram, com rigor científico, que a amêndoa da macaúba tem elevado teor de proteínas e fibras, que tem 17 diferentes aminoácidos, sendo 9 destes, essenciais.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros 

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Convite do Teddy - Montes Claros,MG

Retransmitimos a todos companheiros convite recebido do Teddy Marques Farias, do ICA, campus da UFMG em Montes Claros, MG. O pequi apresenta imensas possibilidades econõmicas, em exploração extrativista sustentável e em plantios racionais. Anotem o endereço do Portal do Pequi, que apresenta mais detalhes sobre o encontro. O evento irá discutir também a exploração de outros frutos do cerrado. A macaúba está presente na região, deve e pode ser explorada sustentavelmente.

Francisco Oliveira  

Prezados macaubeiros
 
Estamos organizando, nos dias 24 e 25 de Junho, um ciclo de palestras e debates sobre a cadeia produtiva do pequi e outros frutos do cerrado, o objetivo é suscitar discussões sobre o extrativismo do pequi e outros frutos. Este momento é bastante oportuno, é uma grande oportunidade de discutirmos as questões relacionadas com o tema, tais como: o processamento agroindustrial do pequi, comercialização, questões sociais, criação das resex e preservação do Cerrado.
 
Na oportunidade gostaria de informar-lhes que estamos construindo o PORTAL DO PEQUI, um site com informações sobre o pequi e outros frutos do Cerrado. Quem desejar contribui conosco, nos envie artigos, reportagens e documentos  relacionados, frutos do extrativismo e outros para que possamos divulgar. O site é:
 
www.portaldopequi.org
 
Contamos com a participação de todos. venham discutir conosco.
 
Atenciosamente,
 
TEDDY MARQUES FARIAS
ORGANIZAÇÃO
LABORATÓRIO DE ÓLEOS
ICA/UFMG
MONTES CLAROS - MG
(38)21017775

(38)98043733

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10/6/09

Custos de produção de macaúba

Aldo Rey enviou esta mensagem:

Prezados : Esta é receita bruta.
Menos os impostos e energia, frete e mão de obra fica em quanto?
No aguardo,
Aldo

Resposta

Não temos uma planilha de custos única, porque estes variam muito, conforme a tecnologia que for utilizada para os plantios e a escala de produção, principalmente da parte industrial. Além disso, as planilhas são estimativas, porque foram feitos poucos plantios  de macaúba, todos eles de pequeno porte. Um grande projeto, da ENTABAN, está em andamento, 1,5 milhão de mudas na primeira etapa. Veja detalhes neste blog, dias 11 e 12/5.

O modelo de implantação definirá como os custos serão repartidos: plantios em terras próprias, ou arrendadas, ou em parcerias com proprietários rurais, que fornecerão a mão de obra, o item mais caro. 

 Tecnologias:

- Plantio manual

- Plantio com coveadeiras manuais, a gasolina

- Plantio em áreas mais planas, com coveadeira acoplada a trator.

Acreditamos que os custos de implantação de projetos de macaúba fiquem próximos aos custos de implantação de projetos com côco da Bahia e dendê, com menores gastos em defensivos, porque a macaúba é bem mais resistente a pragas que aquelas palmáceas. 

 Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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9/6/09

Proteínas da amendoa da bocaiuva

 

 

Uma importante pesquisa com o seguinte título

AVALIAÇÃO NUTRICIONAL DA PROTEINA DE AMENDOAS DE BOCAIUVA, Acrocomia Aculeata, (Jacq.) Lodd, EM RATOS WISTAR EM CRESCIMENTO

Dos autores

Priscila Aiko Hiane, Maria Lígia Rodrigues Macedo, Gabriela Moraes Silva, José Antônio Braga Neto

 

pode ser acessada no endereço abaixo:

 

 

 

http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/alimentos/article/view/5277/3958Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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8/6/09

Planilha de Estimativa de Receita da Macaúba

RECEITA DOS PRODUTOS DA

MACAÚBA

 

 

 

Junho/2009

 

 

Produto

Quantidade kg/hectare/ano

Preço Unitário R$

Receita por hectare R$

Fruto inteiro fresco

20.000

R$

R$

Óleo da polpa

3.746

1,00

3.746,00

Óleo da amendoa

538

3,00

1.614,00

subtotal óleos 

4.284

 

 

Torta da polpa

4.734

0,30

1.420,20

Torta da amendoa

458

0,60

274,80

subtotal tortas

5.192

 

 

Carvão do endocarpo

1.455

0,30

436,63

Subtotal produtos (1)

10.931

 

 

Água e gases (2)

9.068

 

 

Total (1) + (2)

20.000

 

 

 

Receita Total

R$

 

7.491,63

 

 

 

 

 

 

 

 

Preço médio kg “Outros Produtos”

 

R$ 0,32

 

Quantidades kg/ha “Outros Produtos”

6.647

 

Receita por ha “Outros Produtos”

 

R$ 2.131,63

 

 

     
Fontes: Fundação CentroTecnológico de Minas Gerais - CETEC – MG, e   

Estimativa de preços de mercado, junho/09   

   

 

Esta planilha apresenta os principais produtos da macaúba, e suas quantidades de hectare. Baseia-se nos estudos realizados pela Fundação CETEC, de MInas Gerais, que realizou a pesquisa “Produção de Combustíveis Líquidos a Partir de Óleos Vegetais”, publicada em 1983.

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Solicitação do José Sebastião Romano, do Pará

Moro no Pará (Irituia) e aqui a macaúba é conhecida como “mucajá” e gostaria de saber como é possível a extração do óleo, pois lembro que vi pela metade uma reportagem no Globo Rural sobre as potencialidades desta cultura. Por aqui não há plantio comercial apenas existem muitas árvores nativas.
Obrigado pela atenção.

José Sebastião Romano, IRITUIA. PA

Nossa resposta

Prezado José Romano,

Agradecemos seu acesso ao nosso blog.

A extração de óleos da macaúba pode ser feita de forma industrial ou artesanal. Dois tipos diferentes de óleo podem ser extraídos: da polpa e da amendoa. O óleo da polpa está presente na casca e polpa e corresponde a 87% do total de óleo.

Para retirar a amendoa é necessário quebrar o endocarpo duro, separar a amendoa e depois prensá-la.

O processo artesanal consiste na retirada da casca e da polpa amarela, que é cortada a mão, com faca serrilhada.

Depois a polpa é secada ao sol, ou em secador elétrico ou a gás. Se for ao sol, cubra o recipiente com vidro. A umidade da polpa irá se acumulando na parte de baixo do vidro, e terá que ser retirada duas ou três vezes por dia. Quando  a polpa estiver seca está pronta para ser prensada, o que pode ser feito em prensa hidraúlica manual, destas utilizadas em oficina mecânica. Este processo artesanal produz pouco e requer muita mão de obra, mas é adequado para produção de pequenas quantidades de óleo, para venda ou para consumo próprio.

O óleo de amendoa pode ser obtido, após a quebra do endocarpo, de onde a amendoa é retirada. Moe-se as amendoas. A massa é secada e depois prensada. Tanto a torta da polpa quanto a torta da amendoa podem ser aproveitadas para consumo animal.

Acesse: http://flavio.dfi.ufms.br  para conhecer o processo de produção da farinha de bocaiuva (macaúba do Mato Grosso do Sul).  

O processo industrial de extração de óleos requer uma despolpadeira que retira a casca e a polpa, e as separa do endocarpo. Esta massa é cozinhada em água em ebulição, secada e prensada em prensa rotativa.

O endocarpo é quebrado, na quebradeira, separando-o da amendoa. Esta é secada e depois prensada, também na prensa rotativa. Aproveite o endocarpo para produção de carvão, de alto teor calorífico.

Para retirada total dos óleos deve ser usada a extração por solvente, hexana. Este processo requer equipamento caro, e só é recomendado para escala maior de produção.  

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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5/6/09

Macaúba: co-produtos de biodiesel na alimentação animal

Heloísa Carneiro – Pesquisadora da Embrapa Gado de Leite
heloisa@cnpgl.embrapa.br

                                                       Jisleny da Cruz PereiraEstagiária da Embrapa Gado de Leite

 

A palmeira Macaúba Acrocomia aculeata é uma espécie nativa das florestas tropicais, e se destaca por ser uma palmeira oleaginosa produtiva e adaptada a regiões semi-áridas. A macaúba é uma palmeira nativa das Américas, no Brasil ela ocorre praticamente todos os estados brasileiros e em maior abundância nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O fruto da macaúba é globoso, liso, e de coloração marrom-amarelada quando maduro.

Da macaúba se aproveita praticamente tudo. O fruto é o produto economicamente mais representativo da palmeira. Quanto ao potencial alimentício, detecta se a alta porcentagem de B-carotenóide (590 UL/100 g), precursor da vitamina A, nos frutos maduros de macaúba. A polpa e as amêndoas produzem óleo de excelente qualidade tanto para a alimentação humana como para a indústria química na fabricação de cosméticos, ceras e biodiesel. As folhas são empregadas como forrageiras aos animais ou matéria-prima na obtenção de fibras destinadas à produção de linhas, cordas e redes. Do pecíolo das folhas, depois de separado em tiras, são feitos cestos, balaios e chapéus. O tronco é utilizado no meio rural para calhas, moirões, ou ripas e caibros para a construção de casas e paióis. O tegumento pode ser utilizado para fazer carvão, de alto poder calórico para uso em metalúrgicas, operações siderúrgicas, em função de sua composição química.

A macaúba tem possibilidade de se tornar à palmeira oleaginosa mais importante comercialmente no contexto brasileiro, pois seus frutos fornecem de 20 a 30% de óleo, 5% de farinha comestível e 35% de tortas forrageiras. O óleo da amêndoa é de cor clara. O mais importante de seus glicerídeos é o ácido láurico (cerca de 45%), seguindo-se o oléico (16%).

O fruto de macaúba se constitui no produto economicamente mais representativo da espécie. Dos frutos pode ser extraído o óleo, que atualmente vem sendo bastante visado para produção de biodiesel. No processo de extração do óleo são geradas grandes quantidades de biomassa residual e, o seu aproveitamento implica na redução dos custos finais do óleo vegetal. Por isso a necessidade de usar esses resíduos na alimentação de ruminantes.

Como os interesses por questões ambientais que permitam a redução de emissões de gases poluentes, vêm se tornando um motivo de extrema importância para pesquisadores, governos e para a sociedade em geral, a utilização de seus co-produtos como concentrado para a alimentação animal é estudado em várias instituições.

Na Tabela 1 apresenta dados bromatológicos dos dois resíduos de co-produto da macaúba: MS, PB, FDN, FDA, DIVMS, Cinza, Lignina, Celulose e análise da composição mineral, dos dois resíduos de co-produto da macaúba.

análise da composição mineral, dos dois resíduos de co-produto da macaúba.

Depois da extração do óleo da amêndoa, a torta que sobra pode ser utilizada tanto na alimentação humana (fabricação de doce, tipo cocada) como na de animais. A aplicação mais simples é usar esse farelo como ração animal.

O farelo da amêndoa tem ótimo índice de proteína e pode ser utilizado na composição de rações para animais. A polpa, adocicada e suavemente aromática é muito apreciada pelas crianças, sendo também consumida em sua forma natural pelos ruminantes. Adicionalmente, a polpa pode ser usada diretamente ou como farinha na alimentação humana, sendo que a farinha só pode ser obtida dos frutos frescos.

Como ração animal, a polpa oleosa tem maior emprego na engorda de suínos. Além disso, a torta da polpa pode ser utilizada como adubo e combustível para caldeiras. Finalmente, a casca da macaúba pode servir como ração animal de alta qualidade. Estes co-produtos podem ser comparados a torta de algodão após a extração de óleos, pois resulta em grandes quantidades de biomassa residual rica em proteína com alta digestibilidade no caso do coco e moderada no caso do fruto.

Fonte: Panorama do Leite, nº 29, abril 2009 

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Beneficiamento da macaúba - Riacho D´Anta - Montes Claros

Na comunidade de Riacho D’Anta, em Montes Claros/MG, o

PPP-Ecos

apóia a implantação da unidade de produção de óleos, com ênfase no óleo de macaúba, palmeira abundante na região. Esse trabalho é fruto da mobilização dos produtores, assessorados pelo Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA-NM) e pela Cooperativa Grande Sertão. A fábrica tem capacidade para produzir 17 mil litros de óleo da polpa e 6.500 litros de óleo da castanha da macaúba, além de 30 toneladas de carvão da casca do coco.

O óleo da amêndoa da macaúba é comparável ao azeite de oliva em textura e possui excelente paladar. A torta da polpa serve como ração animal e a torta da semente pode ser usada na composição de granola, doces e outras formas de consumo humano. Além disso, a macaúba representa uma das plantas com melhor potencial para a produção de biodiesel, especialmente nessa região do Cerrado, marcada pela grande quantidade de palmeiras.

Na comunidade de Riacho D’Anta vivem cerca de 40 famílias agroextrativistas. Para que a fábrica funcione plenamente, será necessário envolver outras 62 comunidades da região no fornecimento de macaúba. Além dos óleos, a fábrica processará pequi em conserva, como forma de otimizar a estrutura e ampliar a geração de renda.

Produtos: Óleo, sabão, detergente, xampu e sabonete de macaúba

Cidade: Comunidade Riacho D’antas - Zona rural - Montes Claros/MG

Nº de Famílias: 100

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1/6/09

Solicitações do Adriano Machado

 Solicitação do sr. Adriano Machado de Assis Costa - 30 de maio de 2009

 Gostaria de receber também informações sobre o plantio de macauba, pois quero investir nesta cultura em 10 hectares, gostaria de saber se existe um manual de plantio e também se existe mudas de boa qualidade para comprar na região de Belo Horizonte, MG, desde já agradeço a atenção.

 Olá, gostaria de saber a melhor forma de plantio da macauba no que se refere aos espaçamentos, para uma região de cerrado onde vai haver um bom trato cultural desde correção do solo e irrigação, desde já agradeço a atenção, obrigado.

 

Agradecemos a participação do sr. Adriano no nosso blog, tem havido um interesse crescente pela macaúba, várias pessoas já nos consultaram sobre plantios.

Não conheço nenhum manual de plantio, talvez porque o plantio seja uma atividade simples, embora requeira alguns cuidados. As recomendações abaixo são gerais, você deve procurar assistência técnica de um agrônomo.

  • Escolha as áreas em que a macaúba será plantada. Evite áreas de pântanos, ou áreas que ficam muito tempo inundadas. Solos com média e alta fertilidade são mais adequados. Se os solos forem fracos, deve ser acrescentado corretivos, adubo e esterco, nas quantidades que análise de solo recomendar. A macaúba cresce em solos secos, mas o crescimento é mais acelerado com irrigação.
  • Faça as marcações das covas, use espaçamento 5 x 5, ou maior se quiser fazer plantios consorciados de culturas de ciclo curto (alimentos, capineiras), entre as linhas de pés de macaúba.
  • Como todas árvores frutíferas, as covas devem ser feitas com antecedência, e o plantio, de preferência com o solo úmido, mas não encharcado.
  • Antes do plantio devem ser combatidas as formigas, espalhando iscas formicidas nas proximidades.
  • As formigas cortam parte das folhas e geralmente atacam á noite. A lagarta que come as folhas do côco da Bahia ataca também a macaúba. Tanto as formigas quanto as lagartas não destroem os coqueiros, porque novas folhas eclodem, mas atrasam o início da produção.
  • Foi encontrado em Betim, MG, um besouro sugador do meristema da macaúba, (parte vegetativa de onde saem as folhas, e que fica abaixo do nível do solo nas plantas jovens).
  • Este besouro perfura o solo até chegar ao meristema, onde se aloja para sugar o meristema, onde coloca suas larvas. Se não combatido, seca as folhas, podendo matar plantas jovens.

É possível fazer o transplantio de plântulas nativas que nascem naturalmente junto aos coqueiros. É necessário muito cuidado para retirar todas as raízes e manter coeso o torrão. Como o transplantio requer muita mão de obra, fica mais barato adquirir a muda.

Sobre a disponibilidade de mudas consulte a empresa ACROTECH, de Viçosa que produz embriões pré-germinados. Estes precisam ficar 6 meses em pré-viveiro e viveiro antes de ir para o local definitivo.

Acesse : www.acrotech.com.br

Consulte a empresa ENTABAN ECOENERGÉTICOS DO BRASIL que dispõe de grande quantidade de mudas prontas para plantios próprios, em Lima Duarte, MG.

Acesse: www.entabanbrasil.com.br

Quando realizar os plantios, mande notícias para nós.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

 

criado por ongtrem.macaubeiros    14:50 — Arquivado em: Sem categoria
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