A exploração do extrativismo vegetal no Brasil, tem sido feita muito aquém de suas reais potencialidades. Considerando a imensa disponibilidade de frutos das espécies nativas brasileiras, como a macaúba, pequi, baru, tucumã, babaçu, piacava, carnaúba, buriti, castanha do Pará, a seringueira e tantas outras, para a produção de alimentos, energia e matérias-primas, somos levados a concordar que muito falta a ser feito pelos governos e pelas populações locais para que esta atividade produza muito maior volume de emprego e renda.
Trata-se de uma das áreas da economia cujos investimentos apresentam maior relação benefício/custo, porque a pródiga natureza da terra brasileira produz imensas riquezas. São necessários apenas investimentos para, sustentavelmente, coletar, beneficiar e distribuir estes dons que Deus nos deu.
Algumas questões importantes têm que consideradas no fomento ao extrativismo:
1 - O extrativismo tem que ser sustentável, dos pontos de vista econômico, social e ambiental.
A renda gerada pelo extrativismo deve ser repartida com equanimidade, remunerando com justeza toda a cadeia produtiva: coletores, transportadores, a indústria de transformação e o comércio. Os princípios do Comércio Justo (Fair Trade) devem ser aplicados ás cadeias produtivas dos diversos produtos extrativistas.
2 - Devem ser aplicadas tecnologias adequadas para incremento da produtividade do extrativismo.
Técnicas que favoreçam o aumento da produção, como adubação orgânica e adução de água de chuva para, equipamentos, e ferramentas que ampliem o volume de frutos produzidos e coletados.
3 - Como qualquer atividade econômica, o extrativismo deve ser gerenciado eficientemente.
Devem ser aproveitadas boas experiências práticas de extrativismo, para o planejamento e a implantação de empreeendimentos extrativistas auto-geridos, de cooperativas de coleta, beneficiamento e comercialização de produtos da natureza.
O maior desafio talvez seja a transformação de pequenos proprietários e trabalhadores rurais iletrados em empreendedores bem sucedidos. Isto é possível, deste que haja recursos e investimentos em educação e capacitação.
4 - O extrativismo deve estar associado ou deve ser complementar a outras atividades, como o cultivo de alimentos ou a pecuária.
Praticamente todos as espécies extrativistas geram co-produtos para a pecuária ou para produção de energia. Faltam unidades de produção que transformem os frutos da natureza em produtos comerciais.
5 - A mão de obra extrativista, em contacto permanente com o meio ambiente pode e deve prestar serviços remunerados ao meio ambiente, como recuperação e preservação de recursos hídricos, e das formações vegetais nativas.
Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros