30/7/09
O extrativismo sustentável tem pelo menos duas premissas básicas: viabilidade econômica e preservação ambiental.
Viabilidade econômica significa que os rendimentos da coleta são maiores que os investimento e despesas operacionais para coletar, plantar e aumentar a produção “natural” de macaúba.
Se o volume coletado for pequeno é de se esperar que a atividade seja pouco compensadora para remunerar o trabalho do coletor.
No chamado extrativismo simples da macaúba o fruto é apanhado no chão, após cair naturalmente do cacho. A queda é sinal de que o fruto está maduro. Observa-se uma significativa quantidade de frutos caídos, após tempestades ou ocorrência de ventos fortes. O intervalo entre a queda do fruto e a apanha deve ser curto, para evitar o ataque dos frutos por fungos ou insetos; o côco deixado no solo absorve umidade, escurece e se transforma em côco pubado, que é mais seco, escuro, e maior teor de acidez do óleo da polpa.
Como então aumentar significativamente a produtividade e a qualidade dos frutos com os macaubais nativos?
Resposta: Tratando as formações nativas de macaúba, como os mesmos cuidados de outras espécies comerciais
Podem ser testada as técnicas abaixo, dentre outras:
1 - Análise química do solo
2 - Correção de acidez, ou eventualmente, da alcalinidade do solo
3 - Captação e armazenamento de água de chuva com “barraginhas” ou tanques, e adução da água para as formações nativas
4 - Cobertura morta ao redor do estipe, proveniente de ervas daninhas roçadas, para manter a umidade do solo
5 - Adubação ôrganica: húmus de minhocários, esterco, compostos de restos de vegetais e lixo
6 - Complementação com adubação mineral, principalmente potássio e micronutrientes, de acôrdo com a análise química do solo
7 – Irrigação, por gotejamento ou aspersão, levando-se em conta as necessidades hidricas da macaúba. Sabe-se que o crescimento da macaúba é rápido no período chuvoso.
8 - Monitoramento da maturação do fruto, usando indicadores: densidade do côco (relação volume/peso), coloração da casca do côco ou da polpa, espessura do exocarpo, resistência do pedúnculo à tração ao se puxar o fruto do cacho, e flutuação do côco na água, o côco verde e o maduro afundam, o côco pubado flutua.
9 - Corte do cacho inteiro, com alto percentual de frutos maduros. Ocorre maturação do fruto ao sol?
10 - Transplantio de mudas nativas, que geralmente nascem muito próximas umas da outras, e que em condições naturais não sobreviverão. Estas mudas devem ser transplantadas para junto das formações nativas, e com espaçamento adequado. O adensamento das formações nativas, em razão do transplantio, poderia multiplicar por 10 ou mais a quantidade de coqueiros.
11 - Poda de pecíolos secos, cachos vazios e mantos, para facilitar a luminosidade e aquecimento dos cachos, o que poderá favorecer a sua maturação.
Estas e outras técnicas devem ser testadas em formações nativas, e avaliadas economicamente. Só a pesquisa agronômica poderá quantificar os aumentos de produção e os respectivos custos dos tratos culturais.
O aumento de produtividade poderá ser quantificado no curto prazo, 12 a 24 meses após os tratos culturais. O aumento de produção decorrente do transplantio de mudas nativas poderá ser avaliado quando do início da produção de frutos, em 4 a 5 anos.
As técnicas listadas sugerem a realização de dezenas de experimentos de campo, inclusive com o uso de novos equipamentos e dispositivos a serem desenvolvidos.
A hipótese principal de pesquisa, a ser comprovada, é que os aumentos de produtividade decorrentes da adoção das técnicas acima, serão elevados, devido a redução das perdas, e aumento do número de cachos e do peso unitário do côco. Espera-se que a receita decorrente do aumento de produção supere amplamente os custos operacionais.
Nas pesquisas devem participar empresas que já estão atuando no beneficiamento da macaúba, que têm contato constante com coletores, cuja experiência e conhecimento da macaúba pode ser muito útil, abreviando etapas da pesquisa. Estas empresas certamente irão colher benefícios da pesquisa e servirão de paradigma para novos empreendimentos com a macaúba.
Finalmente poderão ser obtidas algumas respostas sobre o tipo de organização mais adequado ao extrativismo, e outras atividades agrícolas a serem integradas com a macaúba, como a apicultura, avicultura e a pecuária.
Comentário por Gabriela Ramos — 23 de outubro de 2009 @ 11:23
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