Rede dos Macaubeiros

Macaúba é melhor do que petróleo!

31/8/09

Equipamentos para beneficiamento de macaúba

 O sr. Saraiva Rodrigues, enviou-nos a seguinte solicitação:

Preciso saber informações completas sobre macaúba: como descascar, despolpar, quebrar o coco e beneficiar. Ajudem-me a produzir alimentos para o mundo.

Resposta

Realmente, a macaúba tem potencial para ser uma importante fonte de alimentos para consumo humano ou animal, além de fonte de óleos para biodiesel, e energia térmica. Já passou da hora de ser instalada uma unidade demonstrativa modelo, para divulgar para a iniciativa privada que pode ser também uma rentável alternativa de investimento de longo prazo.

O beneficiamento da macaúba envolve as seguintes etapas:

   Coleta de frutos nativos

  1. Transporte até a unidade de beneficiamento

  2. Lavagem do côco, para retirada de terra e impurezas

  3. Despolpa, que é a retirada da casca externa e da polpa, separando-as do caroço

  4. Prensagem da polpa. Antes, a polpa é aquecida a 60-70 graus, para o rompimento das células onde fica o óleo. A prensagem gera dois produtos: o óleo da polpa e torta para o gado. Se o fruto estiver fresco e sem deterioração (polpa amarela), e se a casca externa for retirada antes, o resíduo pode ser seco e depois moído, produzindo a farinha de macaúba, para consumo humano

  5. Quebra do caroço, e separação do caroço da amêndoa

  6. Prensagem da amêndoa, gerando a torta da amêndoa que é muito rica em proteínas

  7. Carbonização do caroço, gerando carvão de alto teor calorífico, gases e solução pirolenhosa, donde se extrai alcatrão. O alcatrão é uma mistura de diferentes substâncias com valor comercial.

Os equipamentos básicos necessários são:

- Caixa de armazenagem do côco, que deve ser aberta, aquecida e ventilada para evaporação da umidade do côco. É recomendável usar a energia solar.

  • Tanque com escova rotativa para lavagem do côco

  • Despolpadeira

  • Secador/aquecedor da polpa ou amendoa

  • Prensa rotativa para extração do óleo da polpa e do óleo a amêndoa

  • Quebradora do caroço

  • Unidade de separação da caroço da amêndoa

- Forno de carvoejamento, com condensação da fumaça, para produção de carvão e solução pirolenhosa.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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25/8/09

Macaúba é tema principal de simpósio

A macaúba será a principal matéria prima debatida no II Simpósio Brasileiro de Palmeiras Oleíferas, que acontece na quinta-feira (27), na cidade de Montes Claros/MG. O evento, promovido pela Embrapa Agroenergia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento será realizado durante o 6º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel, que teve início na segunda-feira (24).

Além desta palmeira oleífera, durante o Simpósio serão realizados levantamentos relacionados às pesquisas atuais com mais quatro palmeiras, no que se refere à ocorrência natural, domesticação, potencial de produção energético e outros usos.

Para iniciar os debates, o pesquisador Leonardo Bhering, da Embrapa Agroenergia, irá falar aos participantes sobre a identidade genética e potencial sustentável desta cultura. Na oportunidade, Bhering mostrará resultados de estudos referente à diversidade genética da cultura e a importância da realização de um manejo sustentável para a cultura desde a coleta de frutos de forma a evitar um “estrangulamento genético” na espécie. Pesquisas com a macaúba estão em andamento na Embrapa Cerrados. A palmeira tem alto potencial para produção de biodiesel, girando em torno de 4.000 litros/ha, reforça Leonardo.

Logo após esta apresentação, o professor da Universidade Federal de Viçosa, Sérgio Motoike, ministrará a palestra “Qualidade de mudas e micro propagação da palmeira macaúba”. Serão abordados tópicos como qualidade de mudas, micropropagação, manejo fitotécnico de culturas em implantação, arranjos populacionais, consórcio, sistemas de produção, adubação, Exploração de Variabilidade existente, formação de populações de melhoramento de macaúba e integração lavoura – pecuária.

Também estão programadas as palestras “A Rede de macaubeiros envolvidas com pesquisa no Estado de MG”, proferida por Francisco Augusto de Moura Filho da ONG TREM, “Mapeamento de palmeiras oleíferas por imagem de satélite ‘estudo de caso’ para identificação de maciços de macaúba”, apresentada pela pesquisadora da Embrapa Cerrados, Marina Vilela. O rendimento e a qualidade do óleo desta palmeira para a produção do biodiesel serão abordados pela pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Rosemar Antoniassi.

Para encerrar o evento, o Chefe-Geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães, falará sobre as estratégias da logística de produção e uso de matérias primas no entorno de plantas industriais de biodiesel. Estas informações estão publicadas no Folder “Arranjos Produtivos Locais (APL’s) para biodiesel, que será distribuído aos participantes do II Simpósio Brasileiro de Palmeiras Oleíferas.

Daniela Garcia Collares (MTb/114/01 RR)
Embrapa Agroenergia
E-mail: daniela.collares@embrapa.br
Estagiário: Leonardo Ferreira
Contatos: (61) 3448-4845

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21/8/09

Uma notícia da macaúba, 2002

Na década de 1960, a macaúba era vendida de casa em casa, in natura, em Uberaba, MG para consumo de crianças e adultos que ficavam roendo e mascando a polpa.

Encontramos uma notícia de 2002 sobre a macaúba:

Macaúba, fruta originária nas matas de Norte a Sudeste do Brasil, já foi comercializada em Cosmópolis, SP, como fruta para consumo in natura.

 O preço de venda no ETSP, no dia 13/02/2002 foi de R$1,00, a caixa com 4 bandejas, sendo que o produto já foi vendido a R$5,00 em outros dias. Os principais compradores eram os sacolões e a região Sul do Brasil. Segundo o permissionário, é um produto de difícil comercialização, por não ser muito conhecido.
Segundo o livro “Frutas no Brasil” de Silvestre Silva, a polpa é freqüentemente consumida in-natura, mas pode-se também extrair óleo, geralmente usado na indústria, na culinária e na medicina caseira. O óleo extraído da amêndoa é transparente e incolor, comestível, embora seja saturado, e de melhor palatabilidade que o óleo extraído da polpa, podendo inclusive substituir o azeite de oliva.
O Centro de Pesquisa Agropecuária do Cerrado da EMBRAPA do Distrito Federal desenvolveu várias receitas com a polpa do fruto, além de realizar pesquisas com a planta.

Fonte:

www.hortibrasil.org.br

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19/8/09

Artesanato de macaúba

Comentário enviado por Mara Guerra — 18 de agosto de 2009 @ 10:41

Gostaria de saber se a casca do coco é aproveitada e como ela é partida.
Trabalho com joalheria e estou fazendo um trabalho para pós graduação em Design de jóias, sobre a técnica ourivesaria de coco e ouro. Trabalho também com capacitação em joalheria e nas peças desenvolvidas com coco, uso o coco macaúba. Gostaria de saber para citar na minha dicertação essa possibilidade de aproveitamento.
Att.

Comentários

Não temos conhecimento da utilização da casca da macaúba em artesanato. Acreditamos que a leitora Mara Guerra esteja se referindo ao endocarpo ou caroço, o qual é usado na produção de aneis, broches e colares de bijouteria.
Na internet ha um sítio que anuncia a venda de caroços torneados a R$30,00 o quilo.

Francisco Oliveira

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18/8/09

II Simpósio de Palmeiras Oleíferas

O II Simpósio de Palmeiras Oleíferas será realizado durante o 6º Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel, em Montes Claros, MG conforme a programação já veiculada nos meios eletrônicos (http://oleo.ufla.br/).

Coordenação: Embrapa Agroenergia

Objetivos: levantar as pesquisas atuais realizadas de cinco palmeiras oleíferas, no que se refere à ocorrência natural, domesticação, potencial de produção energético e outros usos.
Público: pesquisadores, professores, pós-graduandos, graduandos, produtores e demais interessados.

PROGRAMAÇÃO:
Dia 27/08/2009 (QUINTA FEIRA)

PALESTRA NO CONGRESSO:

08:00 – 08:30 hs
Palestra 1: Visão estratégica de uso de palmeiras oleíferas para Biodiesel e avanços das pesquisas no último ano – Dr. Frederico O. M. Durães, Chefe-Geral Embrapa Agroenergia – CNPAE

08:30 – 09:00 hs
Palestra 2: Recursos Genéticos e melhoramento de pinhão manso – Dr. Bruno Galveas Laviola, CNPAE

Simpósio I - Produção de Macaúba e outras

13h30m -14h10m – Palestra 1
Identidade Genética e potencial sustentável da macaúba – Dr. Leonardo Lopes Bhering, CNPAE

14h10m-15h00m – Palestra 2
Qualidade de mudas e micro propagação da palmeira macaúba – Dr. Sergio Motoike, - UFV Tópicos a serem arbodados: qualidade de mudas, micropropagação, manejo fitotécnico de culturas em implantação, arranjos populacionais, consórcio, sistemas de produção, adubação, Exploração de Variabilidade existente, formação de populações de melhoramento de macaúba e integração lavoura - pecuária

15h00m-15h30m – Palestra 3
A Rede de Macaubeiros envolvidas com pesquisa no Estado de MG - Dr. Francisco Augusto de Moura Filho – ONG TREM

15h30m-16h00m – Palestra 4
Mapeamento de palmeiras oleíferas por imagem de satélite “estudo de caso” para identificação de maciços de macaúba – Dr. Marina Vilela – CPAC

16h00m-16h30m – Palestra 5
Métodos de extração e qualidade de óleo de Macaúba – Dr. José Antônio Vidal Vieira– CENPES

16h30m-17h00m – Palestra 6
Estratégia da Logística de produção e uso de matérias primas no entorno de plantas industriais de biodiesel - Dr. Frederico O. M. Durães, Chefe-Geral Embrapa Agroenergia – CNPAE

Simpósio II - Produção de Mamona e Pinhão Manso
Palestra 1
Destoxificação da torta de pinhão manso – Dra. Simone Mendonça, CNPAE

Siglas: CNPAE – Centro Nacional de Pesquisas em Agroenergia; CPAC – Centro de Pesquisas Agropecuárias do Cerrado; UFV – Universidade Federal de Viçosa; CENPES – Centro de Pesquisa da Petrobrás

Palestra: reservada aos participantes conforme a programação do primeiro dia; cada palestra terá a duração de 30 minutos e deverá ser em formato Power Point.

Informações sobre os Palestrantes

Nome Unidade Telefone e-mail
Dr. Bruno Galveas Laviola CNPAE 61 3448-4844 bruno.laviola@embrapa.br
Dr. Francisco A. de Moura Filho ONG-TREM 31 3379 5706 ongtrem@ig.com.br
Dr. Frederico Ozanan M. Durães CNPAE 61 3447-4022 frederico.duraes@embrapa.br
Dr. José Andonio Vidal Vieira CENPES 21 3865-7163 vidalv@petrobras.com.br
Dr. Leonardo Lopes Bhering CNPAE 61 3448-4844 leonardo.bhering@embrapa.br
Dra. Marina Vilela CPAC 61 3388-9873 marina@cpac.embrapa.br
Dr. Sergio Motoike UFV 31 3899-1351 motoike@ufv.br
Dra. Simone Mendonça CNPAE 61 3448-4844 simone.mendonca@embrapa.br

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11/8/09

Pupunha como alimento para dietas especiais

Recebemos a mensagem abaixo:

Prezada Helyde

Sou mãe de uma menina de 10 anos, Àsperger (autismo leve).
Moramos no estado do Espírito Santo, e ela faz dieta de glúten, caseína, soja, milho, açúcar, etc.
Na feira orgânca de Vitória-ES, ás vezes encontramos pupunha, e minha filha adora comer como lanche.
Cozinhamos na panela de pressão, e depois de cozida, temperamos com óleo de girassol e sal.
A saúde dela melhora muito com a pupunha.
Gostaria de saber, onde posso encomendar a farinha para ela, e também se seria possível ter acesso as receitas.
Muito obrigada,
Abraços,
Cristina

Esta mensagem é endereçada a Helyde Albuquerque pesquisadora do INPA, que realiza pesquisas com a pupunha.

Este caso merece uma avaliação e um futuro experimento, da pupunha e da macaúba em dietas especiais, para pessoas que tenham intolerância à glúten, caseína, soja e milho. 

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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10/8/09

Macaúba em Barbacena

 Solicitação  enviada por Luciano Carvalho — 7 de agosto de 2009 

Moro em Barbacena, MG…clima frio e região muito alta…..1.300……vocês acham que a macauba se adaptaria……..e quanto tempo leva um pé para chegar a produtividade…..obrigado, Luciano.

lucianofcarvalho@yahoo.com.br

Prezado Luciano,

A macaúba se adapta a diversos tipos de clima, aqui em Belo Horizonte há alguns coqueiros a 1100 metros de altitude, na serra do Curral. Alguns pesquisadores informam que ela é resistente a geada. Na Flórida, Estados Unidos, ela é vendida como espécie ornamental, porque resiste aos invernos desta região, cujas temperaturas no inverno descem a próximo de zero. 

É necessário que seja feita experiência de plantio na região para ver o desenvolvimento da macaúba.

Sugiro, como experiência,  transplantar 3 mudas com até 30 cm de altura, nativas de regiões próximas a Barbacena, mais baixas, e plantar nos locais escolhidos, em solos bem adubados e molhar com frequecia. Observar a evolução no período chuvoso, setembro a março. No primeiro ano o crescimento da macaúba é lento.

Com boas condições de nutrição e irrigação a macaúba começará a emitir os primeiros cachos antes de 4 anos.

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

 

 

 

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As galinhas da dona Dejanira

Esta estória é verdadeira e foi contada pelo prof. Sérgio Motoike, quando estivemos em Viçosa, em janeiro de 2009.

Numa visita à fazenda Montes Verdes, do Sinéas Campelo, em Jequitibá, MG, o Sérgio perguntou sobre o uso de tortas da polpa e da castanha da macaúba na alimentação de animais. O Sinéas respondeu:

- O gado come bem a torta da polpa, mas não gosta muito da torta da gema. Aqui na fazenda a gente alimenta as galinhas com a torta da gema. Elas voam em cima quando a gente joga a torta para elas. Vamos lá ver as galinhas.

O Sérgio ficou surpreso com o tamanho avantajado das galinhas.

A Dejanira, esposa do Sinéas, estava junto e explicou:

- A gema da macaúba é muito boa para as galinhas, elas crescem muito e botam mais ovo. Elas não param de botar nem na quaresma!

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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4/8/09

MACAÚBAS PLANTADAS 50 ANOS ATRÁS

Em 2006 visitei o nosso querido Sinéas Campelo, na sua fazenda Montes Verdes, em Jequitibá, MG, para filmar e gravar um pouco de sua vasta experiência com a macaúba.

Na parte da tarde ele falou-me de uma plantação de macaúba e perguntou-me se eu gostaria de conhecê-la.

Fiquei muito surpreso, porque nunca tinha ouvido falar em plantações de macaúba, apenas de macaúbas nativas.

- Ô Francisco, a plantação fica aqui perto, é numa fazenda de gente muito boa, amigos meus.

 - Então vamos lá, agora.

 Pegamos o carro, rodamos uns 3 km de “estrada de chão” até a rodovia Jequitibá/Santana do Pirapama, depois mais uns 4 km e chegamos a uma fazenda de gado leiteiro, a fazenda da Adelina, uma senhora de 65 anos, magra e baixa, mas extremamente ativa e trabalhadora.

Logo em seguida ela mostrou-me um velho eixo de uma despolpadora e uma prensa de tirar óleo da macaúba, feita de um embolo retangular dentro de um caixote também retangular, e a pressão era fornecida por um pesado tronco de árvore.

- Já chegamos a tirar 180 litros de óleo de macaúba em uma temporada, para consumo próprio e para vender. Agora vamos conhecer a área que meu finado marido plantou as macaúbas, convidou Adelina.

 

Chegamos a uma área de aproximadamente um hectare com muitos coqueiros de 10 a 12 metros de altura, todos eles com cachos.

- Meu marido plantou estas macaúbas há uns 45 ou 50 anos atrás, as mudas vieram de beira de córregos, todas elas foram arrancadas e plantadas aqui. Nunca deu praga nenhuma.

 

O Sínéas observou:

- Vejam como o mato em volta dos pés do macaúba cresce mais alto.

Fotografei o campo de macaúbas e agradeci a acolhida da simpática Adelina, antes de pegar a estrada.

Realmente está comprovado que aos 50 anos a macaúba está ainda na sua idade produtiva. Já vi fotos antigas de Belo Horizonte, das décadas de 30 e 40 mostrando macaúbas. Visitando os mesmos locais hoje, podemos constatar que as macaúbas ainda estão lá, e produzindo cachos.

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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