Rede dos Macaubeiros

Macaúba é melhor do que petróleo!

30/10/09

Tecnologias e equipamentos para extrativismo da macaúba

Há estimativas de que formações de macaúba nativa estão presentes em mais de 10 milhões de hectares no Brasil, espalhadas por quase todos estados. Considerando uma estimativa conservadora de 4 palmeiras por hectare teríamos uma produção potencial de pelo menos 2 milhões de toneladas por ano de frutos.

 

Entretanto, para que este presente que Deus deu aos brasileiros gere emprego, renda, energia e alimentos será necessários vencer os desafios da sustentabilidade economica e ambiental.

A sustentabilidade ambiental não oferece maiores dificuldades, desde que planos de planejo sejam obedecidos à risca.

O manejo adequado envolve várias ações :

  • Levantamentos detalhados dos maciços, para localizá-los no espaço e quantificá-los. Deve ser conhecida a taxa de crescimento natural dos maciços. A exploração sustentável deve contribuir para que esta taxa aumente, e não diminua.
  • Preservar parte dos frutos para semeaduras no interior e nas proximidades das formações nativas, adensando-as.
  • Adubação compensatória, com composto orgânico ou húmus de minhoca, e complementos minerais de macro e micronutrientes.

A sustentabilidade econômica requer maior atenção, e acompanhamento permanente, porque a economicidade varia ao longo do tempo; uma atividade que apresenta viabilidade num período e numa conjuntura econômica, pode se mostrar inviável no período seguinte. É fundamental então que exista “reserva de economicidade”, e monitoramento constante da produtividade, a qual deve ser alta o suficiente para remunerar adequadamente o capital e a mão de obra, e gerar reservas para épocas de crise.

As tecnologias do extrativismo devem ser aplicadas nas diversas etapas do extrativismo:

1 – Equipamento de Proteção Individual e suprimentos

Chapéu, óculos, bota cano longo, perneira, luvas, lona preta, água

 

2 – Tratos culturais

Colocação de adubo, rebaixo do solo ao redor do estipe para retenção de água de chuva

Anotações das datas de anteses, e identificação de cada cacho

 

3 – Acesso aos maciços

Veículo mais adequado para transporte rápido de pessoas, dispositivos e adubo: pick up leve

 

4 – Catação no chão e corte dos cachos

Colheitadeira paraguaia manual

Escada extensível até 7 m de altura, com amarração ao estipe, com plataforma no topo, proteção anti-queda, vara 3 m com lâmina de serra na ponta (para terrenos mais acidentados)

Plataforma de elevação hidráulica acoplável a tratores (topografia plana)

Carrinho manual com rodas de bicicleta, para transporte local

 

5 – Armazenagem local

Forração do solo com lona preta

 

6 - Transporte a unidade de beneficiamento

Pick up leve ou caminhão de 7 t de peso bruto total

 

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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23/10/09

Agradecimento da Gabriela

 

Comentário por  Gabriela Ramos — 23 de outubro de 2009 @ 11:23 ao texto

 

 

 

Pesquisa do Extrativismo Sustentável da Macaúba, que publicamos em 30/07/2009:

“aaaw ‘ eu ameei , vocês tem tudo certinho , muito obrigado . vou indicar esse site pra todo mundo , é o melhor site que explica tudo certinho sobre : extrativismo sustentável . OBRIGADO :* / me ajudaram muito , vou tirar 10 por causa de vocês , muito obg .”

Agradecemos o caloroso incentivo da Gabriela, e a divulgação do nosso blog.

Acreditamos que com boa técnica e gerenciamento adequado, o extrativismo da macaúba é uma atividade sustentável e lucrativa. Mas é necessário que mais pesquisas sejam realizadas, visando a obter-se níveis adequados de produtividade e sustentabilidade ambiental.

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

 

 

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20/10/09

Colheitadeira de macaúba

Colheitadeira de macaúba

Colheitadeira de macaúba

A colheitadeira manual foi mostrada no 6º Congresso de Biodiesel em Montes Claros pelo colega Marcelo Mencarini, que a trouxe do Paraguai.
Este dispositivo aumenta em muito a produtividade dacoleta de côco, além de evitar problemas na coluna.
O carregamento é feito prensando-se levemente o globo sobre a macaúba no chão.
O descarregamento é feito colocando-se o centro do globo sobre uma seta, que abre o arame sobre a caixa onde o côco é descarregado.
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19/10/09

Espatas em outubro

A espata é a embalagem que envolve e protege o cacho de flores da macaúba em formação. Tem a forma de um charuto, com a ponta fina, quando fechado.

A espata é formada na parte superior do estipe, projetando-se para fora, inicialmente apontando para cima. Na medida que vai crescendo em volume, vai se inclinando para baixo.

Quando o cacho floral está formado, a espata abre-se, possibilitando que as flores sejam polinizadas e o frutos cresçam gradualmente, até sua maturação. Em condições de maciços nativos, foi observado que o período que vai da antese até o início da queda dos frutos dura de 12 a 14 meses.

O volume de frutos depende do tamanho e da quantidade de cachos produzidos. O volume de frutos em cada cacho depende da eficiência da polinização, e esta depende em grande parte dos insetos, que são atraídos pelo odor exalado pelas flores. Outros fatores importante são a disponibilidade de nutrientes e água no solo.

 Na região metropolitana de Belo Horizonte em 2008 o início da formação das espatas ocorreu em novembro. Em 2009, a formação de espatas foi antecipada, sendo observadas na metade de outubro. Coincidentemente, ocorreu em 2009 um volume de chuvas acima da média em agosto e setembro. Ou seja, pode existir uma relação de causa-efeito entre o início da temporada de chuvas e as emissões de espatas da macaúba. Se realmente as pesquisas confirmarem esta relação, será possível antecipar a produção de macaúba com irrigação, nos meses que antecedem as chuvas. 

 Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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13/10/09

Ensaios de propagação da Acrocomia, no Paraguai - 05/2/09

Foi constatado um alto percentual de germinação de sementes de Acrocomia nas instalacões de germinação experimental que a empresa Acrocomia Solutions possui en Obligado, departamento de Itapúa, Paraguai.

 Este trabalho destina-se a dar prosseguimento aos primeiros ensaios exitosos realizados em menor escala anteriormente, e confirmar as metodologias utilizadas para provocar a germinação de sementes em apenas 12 semanas, semeadas em substratos especialmente acondicionados. Cabe mencionar que naturalmente as sementes de Acrocomia demoram entre 1 a 7 anos para germinar, razão pela qual os resultados obtidos são alentadores.

 O responsável principal pelo trabalho foi o biotecnólogo Peter Deplewski (Universidade de Hohenheim), com a colaboração da eng. florestal Edilia Ramírez (Universidade Católica de Itapúa).

 As sementes provêem de populações-mães de alta produtividade média (maiores que 75 Kg/frutos por palmeira/ano) e com superior conteúdo de óleos (entre 16 % e 23 %), o que assegura aos clientes a melhor qualidade genética disponível até o momento.

Paralelamente continuam as atividades de identificação, medição de produtividade e análises de qualidade de frutos de populações de palmeiras, que Acrocomia Solutions continua realizando em colaboração com entidades conveniadas, objetivando o melhoramento genético da Acrocomia.

Fonte: Transcrição e tradução de conteúdo do sítio: www.agroenergias.com.py

 

 

 

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9/10/09

Macaúba em áreas alagadas

Comentário por Gilson Pereira de Oliveira — 9 de outubro de 2009 @Gostaria de saber se possivel plantar macaúba em areas algadas por periodos de 2 a 9 semanas. E se pode ser plantada na região de Dolabela

Resposta 

 

 

A macaúba não é adequada para plantio em áreas que podem ficar alagadas por longos períodos.

Pode resistir a pouco tempo de alagamento. Para áreas que ficam alagadas por maiores períodos recomendamos o buriti, que produz um côco de excelente qualidade para alimentação.

 

Com relação a plantio de macaúba na região de Dolabela, não sabemos onde fica. Caso se trate de Engenheiro Dolabela, município de Bocaiúva, a região é adequada para plantios comerciais de macaúba, por ser esta nativa da região. Aliás, bocaiúva e macaúba são sinônimos, e designam a mesma espécie, Acrocomia Aculeata.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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Dúvidas da Cristiane

Cristiane Teixeira enviou-nos a seguinte mensagem

Gostaria de informações sobre a morfologia do coco macauba. Tenho dúvidas em identificar as partes do coco. A massa amarela é o fruto? A casca preta que envolve a amendoa como é chamada? E por fim a amendoa. Quem é o coco e quem é o fruto? Obrigada.

 

Resposta

 

O côco macaúba é composto de:

 

Casca externa - exocarpo ou epicarpo

 

Polpa amarela - mesocarpo, contém óleo insaturado

 

Caroço - endocarpo, parte externa dura, utilizada para fazer carvão

                           parte interna: amendoa, também conhecida como gema ou castanha.            

                                                          Tem alto teor de proteína e óleo saturado

 

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros  

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8/10/09

As lições da SABOARIA SANTA LUZIA S/A

A história é uma mestra que nos apresenta muitas lições. A trajetória da Saboaria Santa Luzia mostra acertos, ao longo dos seus mais de 100 anos de existência como empresa, e também dificuldades, que conduziram ao seu fechamento, em 1996.

 

Pontos Positivos

1 - Geração de empregos, trabalho e renda para populações carentes em vários pontos do estado de Minas Gerais;

2 – Demonstração na prática que a exploração da macaúba é um atividade rentável;

3 – Aproveitamento integral do fruto da macaúba, só não era recuperada a umidade do fruto;

4 – Produção de sabões, tortas e carvão de alta qualidade.

5 – A empresa conseguiu sobreviver a diversas crises econômicas, como recessões, inflação elevada, alto custo do crédito.

 

Pontos Negativos

1 – A empresa não deu importância ao seu planejamento estratégico, e não conseguiu planejar e executar ações para enfrentar as dificuldades que levaram ao seu fechamento;

2 - Foram perdidas oportunidades de agregar valor a seus produtos, como o lançamento de produtos alimentícios para consumo humano, como farinhas desengorduradas da polpa e da gema, e produtos dietéticos. Os óleos poderiam ser direcionados para finalidades mais nobres, como fármacos e cosméticos;

 

3 - Como havia grandes maciços de macaúba nas proximidades da fábrica, a empresa não criou outra fonte de suprimento, os plantios comerciais. Nas últimas décadas a cidade de Santa Luzia cresceu muito, transformando áreas rurais em urbanas, e formações nativas em pastagens, erradicando milhares de macaúbas. Mais de 70% das palmeiras foram erradicadas, não havia diretrizes de manejo sustentável das formações nativas, como quase todo côco era catado, a reprodução natural era reduzida;

 

4 - O alteamento natural da macaúba ao longo do tempo dificulta a coleta dos cachos. Não foi desenvolvida uma técnica e equipamentos para trabalhar com macaúbas muito altas;

 

5 – A empresa teve grandes perdas de produtividade com o declínio da coleta, em razão da redução da oferta de mão de obra, e do aumento de sua remuneração, e do aumento dos custos de transporte;

 

6 – A empresa não conseguiu enfrentar a concorrência de outros produtos: os detergentes derivados de petróleo e os sabões de sebo bovino.

Francisco Oliveira/Rede dos Macaubeiros

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7/10/09

SABOARIA SANTA LUZIA S/A – ALGUMAS INFORMAÇÕES

Fechou as portas em 1996 a Saboaria Santa Luzia S/A, cidade vizinha a Belo Horizonte.

Esta cidade foi visitada em 5/10/2009 pelos pesquisadores José Mauro Moreira e Tito Rocha, da Embrapa Cerrados, e por este escriba, que levantaram algumas informações sobre a história desta empresa que funcionou por mais de 100 anos, comprando côco macaúba, industrializando e vendendo seus produtos.

 

A SSL obtinha a matéria-prima comprando côco macaúba de catadores, os macaubeiros, que armazenavam localmente os cachos cortados ou o côco caído, para posterior transporte para as 2 unidades industriais da companhia, em Santa Luzia ou Jaboticatubas.

Era uma importante fonte de renda para a população de baixa renda, da periferia e da zona rural de Santa Luzia e de várias cidades do estado que enviavam o côco para ser beneficiado em Santa Luzia, entre elas Corinto, MG onde havia um entreposto de compra de côco macaúba. A cidade vizinha de Jaboticatubas tinha uma unidade industrial da SSL, onde extraía óleos, e armazenava o côco em grandes galpões, com paredes de telas de arame.

O produto principal da saboaria era o sabão, conhecido como “sabão de Santa Luzia”, na verdade, dois tipos de sabões de qualidade, do óleo da polpa e do óleo da amêndoa. Estes eram vendidos em grande quantidade, antes do advento dos detergentes derivados de petróleo, e tinham grande poder de limpeza. Muita gente usava o sabão do óleo de amendoa para tomar banho e lavar os cabelos, relatando sua eficiência no combate a caspa.

Os outros produtos da SSL eram os óleos brutos da polpa e da amêndoa da macaúba, tortas da polpa e da amendoa, glicerina, e carvão feito do endocarpo da macaúba. Este último era vendido para a Companhia Siderúrgica Belgo Mineira, na vizinha cidade de Sabará.

O auge da produção da SSL aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, sendo beneficiados por ano, 120.000 alqueires de macaúba (1 alqueire = 60 litros). Este volume equivale a aproximadamente 4.000 toneladas de côco. A empresa instalou dois criatórios de porcos próximos á fábrica, que se alimentavam das tortas da polpa e da amendoa.

 

A partir da entrada em operação em Santa Luzia, da empresa estatal FRIMISA -
Frigoríficos Minas Gerais, em 1959, com grande disponibilização de sebo bovino, uma matéria-prima mais barata para fazer sabão passou a competir com os óleos de macaúba.

Outros fatores que contribuíram para a decadência da SSL foram o aumento dos custos de mão de obra e do transporte, a descapitalização, a obsolescência dos equipamentos, que não foram modernizados, e a deficiência na alta administração que não conseguiu enfrentar estas dificuldades.

O fechamento da SSL foi uma tragédia para mais de 500 catadores, que subitamente se viram sem uma fonte de renda para sua subsistência.

Francisco Oliveira/ONGTREM/Rede dos Macaubeiros

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