Rede dos Macaubeiros

Macaúba é melhor do que petróleo!

3/11/09

Produção de óleo de macaúba de qualidade

Nativa em Minas Gerais, integrante natural das pastagens, a palmeira macaúba é a mais nova promessa que desponta no mercado de biocombustíveis, cosméticos, fármacos, podendo seu óleo, ser usado até mesmo para a culinária. Projeto pioneiro de beneficiamento do coquinho, fruto da planta, está sendo desenvolvido em Jaboticatubas, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os resultados preliminares são animadores: pela primeira vez foi extraído do coco um óleo de qualidade, que já é comercializado.

O trabalho é o resultado de um projeto conjunto entre a empresa Paradigma Óleos Vegetais, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Embrapa Agroindústria de Alimentos, e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, que mantém linha de incentivo a pequena indústria.

Até então, a macaúba era vista como uma palmeira nativa encontrada com facilidade pelas pastagens de Minas, com grandes cachos de coco, de onde é extraído um óleo ácido usado na fabricação de sabão. No entanto, as possibilidades de aproveitamento da planta são infinitamente maiores. “Do coco se aproveita tudo, da casca que se transforma em energia, a castanha de onde se tira um óleo puro”, observa Sérgio Motoike, professor pesquisador do Departamento de Fitotecnia da UFV. Para Marcelo Araújo, engenheiro de automação e processos, sócio-proprietário da empresa Paradigma, a palmeira é uma grande descoberta e um projeto promissor. “Xeiques árabes olham a areia do Oriente e enxergam o petróleo. Quando olho para os campos de Minas vejo a mesma coisa, o combustível do futuro no fruto da macaúba”, compara o engenheiro, explicando de onde surgiu a inspiração para dar início ao projeto, que, com tecnologia e pesquisa, está extraindo do fruto da palmeira um óleo quase tão puro quanto o de oliva.

“Quando olho para os campos de Minas, vejo o combustível do futuro no fruto da macaúba” - Marcelo Araújo, Engenheiro e um dos idealizadores do projeto

Do coco dessa planta 100% brasileira é possível conseguir três tipos de óleo. O primeiro é retirado da matéria-prima já em processo de decomposição e não requer técnica elaborada. “Nesse processo rudimentar, o fruto pode ser armazenado no máximo por cinco dias após a colheita e o óleo tem alta acidez, cerca de 45%, usado na fabricação de sabão”, explica Araújo. O que começa a ser feito agora é um processo semelhante ao desenvolvido na extração do óleo de palma (dendê). Com tecnologia, um produto bem mais puro está sendo retirado da polpa do coco, matéria-prima para o mercado de biocombustíveis. Um terceiro óleo, atingindo acidez de apenas 0,5%, concorrente do dendê, é extraído da castanha do coco sendo indicado para a indústria de cosméticos e também para alimentação humana.

Jaboticatubas foi escolhida como cidade sede do empreendimento por ter grande concentração da planta. A palmeira está presente no Norte, Nordeste, Centro-Oeste do país, mas é no Sudeste, especialmente em Minas Gerais, que está a maior quantidade da espécie. São aproximadamente 7 milhões de plantas, sendo que a maior concentração ocorre na Região Metropolitana de BH.

Marinella Castro

 Portal jornal  Estado de Minas, Caderno Agropecuário

 

criado por ongtrem.macaubeiros    12:18 — Arquivado em: Sem categoria

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